quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A BUSCA DE BRUCE – V: Semana punk.


Já passam das 11h, quando Bruce e Sofia acordam. A dor de cabeça dos dois é grande, mas não supera a vergonha de Sofia. Bruce diz que não tem problema algum, mas ela se desculpa e pede para ele chamar um táxi.

Apesar do ocorrido, o saldo foi positivo. Sofia é uma mulher bonita, inteligente e rolou uma química legal entre eles. Mas o que fez a noite valer a pena mesmo foi Bruce ter despertado para a certeza de que Hannah é tudo o que ele tanto procurava.

Mais cedo Bruce foi acordado por um telefonema da sua mãe, lembrando o aniversário do seu sobrinho, filho do seu irmão mais velho. A sua mãe pediu para ele levar Hannah, de quem ela gostou muito (Hannah acompanhou Bruce em alguns eventos de família, tipo almoço de domingo). “Vou ligar agora pra Hannah. Almoçamos juntos, conversamos e depois vamos à festa de Enzo.” – essa idéia fez ele sorrir.

Bruce, então, liga para a casa de Hannah, dispara e entra a caixa postal. Procura o celular e liga para ela uma, duas, três vezes. E nada dela atender. Assim que chega à festa do sobrinho, a sua mãe pergunta por Hannah, o que deixa Bruce com um ar de tristeza.

- Meu filho, você não acha que já está na hora de assumir que você gosta de Hannah e tratá-la como sua namorada? Ela é diferente daquelas outras com quem você sai, já se conhecem muito bem, ela gosta de você de verdade e vocês formam um belo par.
- Eu sei, Mãe. A Senhora ta certa. Eu não queria admitir, mas também gosto demais de Hannah. Tenho sentido muito a sua falta.
- E o quê você ta esperando, Bruce?
- Encontrá-la, Mãe. Quando sair daqui passo na casa dela, eu não quero perder mais tempo.
- Mas tenha cuidado, meu filho. Se Hannah sumiu é porque está magoada e não quer falar com você, não do jeito que você sempre conduziu. Seja sincero. Não tenha medo de viver o que a vida traz de bom para você.

Bruce ouve atentamente as palavras da sua mãe e fica pensativo durante toda a festa. Por volta das 20h, Bruce se despede da família, dos amigos e segue direto para a casa de Hannah. Ao parar em frente ao prédio, nota que as luzes do apartamento estão apagadas. Mesmo assim, vai até a portaria e fica sabendo que ela viajou desde sexta à noite. O porteiro não soube dizer com quem nem para onde e essa dúvida tirou o sono de Bruce.

A semana de trabalho foi puxada, com algumas reuniões se estendendo pela noite, mas Bruce sempre dava um jeito de ligar para Hannah, que não atendeu a uma única ligação sequer. Toda noite, na volta do trabalho, Bruce passava no prédio de Hannah, mas nem sinal dela.

Na sexta à noite uns amigos do trabalho o convenceram a sair para tomar uma no Recife Antigo. Destino, Novo Pina, em companhia da boa e velha Jukebox roqueira. Bruce escolhe as duas primeiras músicas: “In Through the Outdoor”, do Led Zeppelin, e “Sympathy for the Devil”, dos Stones, mas pelo Guns’n Roses. “Slash destruiu Keith Richards nos solos dessa música!” – esse pensamento sempre vem à tona quando Bruce escuta esse som.

A partir daí, outros clássicos do Rock vieram acompanhados de muita cerveja e, com o passar das horas, o bar começou a encher e possibilidades interessantes começaram a surgir, como uma loura na mesa ao lado e uma morena na mesa em frente. Bruce conferiu rapidamente e percebeu que ambas davam alguns dos sinais que ele está acostumado a identificar.

Os seus amigos apostaram entre si com qual das duas ele ficaria e exigiram que ele entrasse em ação. Por impulso, Bruce se animou a entrar na onda, mas aí ele lembrou de Hannah, de tudo o que passou nas últimas semanas, da sua vida. Então, disse aos amigos que todos perderam a aposta, ele não ficaria com mulher alguma.

Apesar da insistência dos caras e da tentação da loura, da morena e de uma ruiva que pintou na saída, Bruce manteve-se firme em sua nova postura e, pela primeira vez em anos, foi para casa só e em paz consigo mesmo. “Logo cedo eu bato na porta de Hannah!” - dormiu repetindo essa frase.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Dilma "Verde"


Após quase se afogar na Onda Verde de Marina, Dilma deu uma entrevista ontem adotando um discurso típico de greenwashing (lavado de verde), onde disse que no segundo turno a sua campanha - e seu governo - será pautado no "Desenvolvimento Sustentável, mas com a promoção do crescimento do País e a geração de empregos."

Esse greenwashing de Dilma escancara a sua falta de conhecimento dos princípios e valores do Desenvolvimento Sustentável e seu consequente descompromisso com ele, que promove crescimento econômico em bases sólidas, geração de empregos, novas oportunidades de negócios, inclusão social, respeito e dignidade, além de outros benefícios que se estendem às futuras gerações, como a preservação do nosso patrimônio natural.

Se José Serra possui esse conhecimento e compromisso, eu confesso que não sei, ainda. Mas vou dar a ele o meu voto - e minha confiança.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A BUSCA DE BRUCE – IV: O prazer e a ressaca moral.


Ual! – diz Sofia ao ver o mar escancarado da cobertura de Bruce.

Sofia corre para as janelas, quase tropeçando em uma das tábuas soltas do piso. A chuva dá uma trégua e a lua começa a aparecer entre as nuvens carregadas.

- Que vista maravilhosa! – diz ela observando que, além do mar, também é possível contemplar o rio Capibaribe, o Recife Antigo, Boa Viagem e Olinda.
- Eu ficaria horas aqui, apenas admirando.

Bruce aproveita para conferir suas pernas e traseiro, apreciando e aprovando ambos, enquanto apanha a garrafa do Merlot californiano que abrira antes de sair de casa – “se desperdiçar comida é inadmissível, desperdiçar vinho é um crime”, pensa ele.

Neste instante, Sofia se vira para ele, agradece a taça de vinho, olha em volta e pede licença para fazer um tour pelo ap. Bruce sorri e ela segue examinando os racks rolantes cheios de camisetas brancas, pretas e alguns ternos, as centenas de CDs, DVDs e livros dispostos pelo chão, a rede, o edredom jogado na cama, a sua prancha de Surf pendurada na parede e não muita coisa mais.

- Adorei esse lugar! Você se divorciou há pouco tempo ou coisa parecida? – pergunta ela.
- Não. Nunca me casei.
- Há quanto tempo você mora aqui?
- Uns cinco anos, mais ou menos.
- O que você faz?
- Sou Engenheiro Naval. Trabalho no estaleiro, em Suape.
- Poxa, isso dá uma grana!
- Não dá pra reclamar.
- Você tem namorada, ou alguém especial?
- Namorada, no sentido real da palavra, não.
- Ah, mas tem alguém especial?
- (...) Tenho. Mas, nada sério.
- Então você é do tipo que não quer nada sério. Deve ser por isso que sai sozinho num sábado à noite... – diz ela.
- Sozinho? Você está aqui, comigo.
- Onde é o banheiro? – pergunta Sofia, com um ar de riso pela resposta de Bruce.
- Final do corredor, à esquerda. Ou então no meu quarto.

Enquanto Sofia sai da sala, Bruce se dirige ao som. Após uma breve busca nos CDs, coloca o álbum “Reflections”, do Apocalyptica. Bruce tem o hábito de ouvir um bom Rock enquanto está na cama com uma mulher e procura um som que tenha a ver com a personalidade dela ou, como ocorre freqüentemente, com as suas primeiras impressões. No caso, acredita ele, Apocalyptica combina com Sofia.

Sofia volta do banheiro. Entra no quarto de Bruce, vestindo apenas a sua jaqueta e calcinha. Bruce pára um instante e aprecia o corpo de Sofia. Ambos se entregam a um beijo demorado e começam a fazer amor ali mesmo, no chão do quarto. Quando finalmente chegam à cama, por volta da sétima faixa do CD, os dois são vencidos pelo cansaço, e pelo álcool. Bruce ainda tem forças para uma chuveirada rápida antes de dormir.

Menos de uma hora depois, Bruce acorda com um som bem familiar, Sofia vomitando. Ele vai até o banheiro e a encontra sentada no chão, abraçada à privada. Bruce se agacha ao seu lado, segura a sua mão (bastante fria) e a conduz até o chuveiro, ela mal pode andar. Quando volta ao quarto com Sofia, percebe que ela vomitou no chão, ao lado da cama. O vômito em si não é problema para Bruce, ele já está acostumado a essa situação, que se repete freqüentemente. Então ele percebe, naquele exato momento, que essa freqüência é o grande problema.

“Putz! Eu to com trinta e cinco anos e continuo saindo com o mesmo tipo de garotas que saía quando tinha vinte.” – pensa ele. “To cansado de viver assim. Eu quero uma mulher de verdade, e não menina. Mas pra isso tenho que me comportar como homem, e não como um menino.” – fala para si mesmo.

Bruce, então, lembra de Hannah. Pensa em ligar para ela, mas desiste ao olhar o relógio. A última vez em que estiveram juntos foi há mais de duas semanas e o clima pesou entre eles, Hannah não gostou de vê-lo com Maya e disse que estava cansada daquilo tudo, embora Bruce sempre tenha deixado a situação bem clara.

“Será que a falta de Hannah desencadeou tudo isso?” – pensa ele.

Enquanto olha Sofia pegar no sono, é tomado por uma forte e inevitável ressaca moral. A sensação de vazio toma conta de Bruce de forma tão intensa que ele lembra de uma piada de palhaço, contada por um amigo numa mesa de bar há alguns anos:

“Um homem vai a uma Psicóloga e diz que, há algum tempo, a sua vida não tem mais sentido, tudo perdeu a cor, a graça. E pede à Psicóloga que o ajude de qualquer maneira. Ele está desesperado.
A Psicóloga começa dizendo que todo mundo tem problemas e que a vida não é assim tão ruim. E finaliza pedindo ao homem para fazer coisas simples e diferentes, como aproveitar a chegada do ‘Grand Circus’, que tem como principal atração o ‘Fabuloso Felippo’, o melhor Palhaço do mundo!
O homem, então, olha firme para a Psicóloga e diz, aos prantos: - Doutora... eu sou o Fabuloso Felippo...”

Quando ouviu essa piada pela primeira vez, Bruce sorriu como menino. Hoje, ela já não tem a menor graça.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

MILAGRE MODERNO!

Três homens andaram sobre a água em toda a História da humanidade:
O primeiro foi Cristo.
O segundo foi Pedro.
O terceiro foi Ivangivaldo - esse cara aí da foto...












sábado, 25 de setembro de 2010

A BUSCA DE BRUCE – III: Tiro certeiro.


- Você já está indo embora? – pergunta ela.
- Bem, eu...
- Vamos beber alguma coisa. Dessa vez é por minha conta. – diz ela, puxando-o pela mão até o balcão do bar, onde ele se volta para ela:
- Heineken?
- José Cuervo.
- Antes você estava bebendo cerveja e agora tequila? – como se ele não soubesse.
- Ah – diz ela – eu comecei pela tequila naquele outro bar. Me acompanha?
Ele sorri positivamente.

Sentam-se em uma das mesas. Formando um laço saturado de álcool, discutem filmes, músicas e a quantidade de gente que está se mudando para Recife. Durante a conversa, ele descobre que ela se chama Sofia, tem 23 anos, era espancada pelo pai biológico, que também batia na mãe. O pai sumiu do mapa quando ela tinha 11 anos (para alívio de ambas) e, quando ela pensou que finalmente encontraria um pouco de paz, a mãe se envolve com outro canalha – sugestão de abuso – então, ela saiu de casa aos 14 anos e foi morar com uma tia-avó. Estudou, ralou e veio parar aqui.

A sua história de vida toca Bruce, mas a sua saia subindo pelas coxas, enquanto ela fala e gesticula, lhe chama mais a atenção. Ele também observa o seu jeito de falar e nota que, após cada respiração, ela passa a língua nos lábios. Ele também gosta da maneira como ela ajeita os cabelos. Na verdade, ela parece melhor do que Bruce se lembra do Burburinho. E ele não atribui isso ao álcool.

Duas e meia, começa a cair uma chuva fina. O movimento do bar fica ainda mais fraco e o DJ anuncia que vai rodar a última música: “Maracatu de Tiro Certeiro”, Chico Science & Nação Zumbi.

- A última? Já?! – Sofia parece desconsolada.
- Na minha casa tem mais bebida e uns CDs ótimos. – diz Bruce, tentando não dar bandeira de que ela é a sua última esperança da noite. – Fica a duas pontes daqui e o bar nunca fecha.
Ela parece estar considerando o convite, só precisa de um empurrãozinho.
- Minha casa fica às margens do Capibaribe e tem uma vista incrível – como se isso fizesse diferença.
- Talvez eu deva checar com meus amigos.
- Onde eles estão?
- Não sei... – ela ri e deixa escorrer uma gota de bebida pelo canto da boca, prontamente recuperada pela língua, o que atiça ainda mais Bruce.
- Eu tenho Heineken e José Cuervo no freezer. E também uma adega com excelentes vinhos...

A chuva fina e fria dá uma força. Bruce tira a jaqueta e a veste em Sofia. Abraçados, caminham até o Paço Alfândega, trocando os pés e com os quadris se entrechocando. Ele acena para um táxi, quando a chuva começa a ficar mais forte.

- Você não é um maníaco com uma faca ou coisa parecida, é? – diz Sofia antes de entrar no táxi.
- Não que você saiba.
Ela sorri e os dois se beijam.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

quarta-feira, 22 de setembro de 2010