terça-feira, 18 de maio de 2010

domingo, 16 de maio de 2010

CAMINHOS PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL - II: a Necessidade da Mudança


O desenvolvimento sustentável representa uma nova e inevitável revolução cultural e isso requer o envolvimento de todos (governos, instituições públicas e privadas, terceiro setor, população). Mas será que aqueles que detêm o poder no mundo têm plena consciência da obrigatoriedade dessa revolução, ou interesse nela?

Antes de qualquer coisa, a mudança deve ser intelectual, ou seja, no modo de pensar e encarar a realidade. E o primeiro já foi dado: a grande contribuição dos ambientalistas responsáveis foi ter levado ao conhecimento do público a certeza de que a sobrevivência da espécie humana é hoje a principal prioridade, à frente de qualquer outra problemática.

A cultura, atrelada às políticas públicas, tem papel importante nesse processo de mudança e, conseqüentemente, na consolidação dos princípios do desenvolvimento sustentável entre os cidadãos, pois há uma tendência – que não consigo compreender o por quê – em deixar a dimensão cultural do desenvolvimento sustentável em segundo plano. Dentro desse contexto, poderíamos incluir também o trabalho do terceiro setor como importante ferramenta para “massificar” a discussão e os problemas ambientais. Um bom exemplo é o sucesso internacional de ‘Uma Verdade Inconveniente’, filme do ex-vice-presidente americano Al Gore, que reflete e acentua a percepção crescente de todos acerca do desequilíbrio ambiental, de suas causas e até mesmo soluções.

A escritora francesa Susan George declarou que “estamos todos a bordo do Titanic, mesmo que alguns viajem de primeira classe”. De fato, vastos setores dos países industrializados e a esmagadora maioria dos habitantes dos países pobres já estão na segunda ou na terceira classes, para não dizer nos porões. Assim, o que será de nós amanhã, com o aquecimento global, a elevação dos oceanos, as tempestades e os furacões, a desertificação, o desmatamento, a extinção de espécies, a erosão dos solos, a escassez de água, as epidemias etc.? E para onde irão as centenas de milhões de homens e mulheres expulsos de sua terra natal? Para onde irão emigrar?

Essas são fontes de um futuro que já ocorre hoje. Um dos principais pontos do confronto entre Israel e Palestina não é a água? E a anunciada carência de petróleo não é um dos motivos que opõem a Rússia aos países ocidentais no Cáucaso e na Ásia Central? O sofrimento em Darfur não advém também do combate pelo controle dos recursos naturais, cada vez mais escassos? Será por acaso que, da Ásia ao Magreb, a Al-Qaeda e suas células buscam arregimentar novos terroristas nas regiões menos favorecidas?

Esse novo paradigma marca uma ruptura no pensamento tradicional. No entanto, as questões ambientais não se sobrepõem às políticas. A destruição progressiva dos nossos recursos naturais resulta da lógica do lucro em curto prazo, posto à frente das reais necessidades humanas. Em longo prazo, a preservação da vida humana implica rupturas radicais na maneira como administramos o planeta, a fim de que o estilo de vida das populações ricas leve em consideração a capacidade de suporte da Terra e os interesses dos bilhões de pobres sem acesso a seus recursos naturais.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Pequenas Diferenças







E então, pra você, quem está se divertindo mais?

domingo, 2 de maio de 2010

O Peso da Água nas Costas Erradas


Quinta-feria passada, durante a minha última aula na Pós-Graduação (VIVAAAAA!), uma amiga levantou uma questão bastante oportuna: ela disse que tomou conhecimento da campanha Xixi no Banho, e agora "não sabia mais o que fazer com o xixi"?

Essa campanha, criada no ano passado pela ONG SOS Mata Atlântica, é muito interessante, afinal, cada descarga consome em média 12 litros de água. Fazendo as contas, se cada pessoa "guardar" um xixi para o banho, ao final de um mês terá economizado cerca de 360 litros de água. Mas, voltemos à sala de aula. Essa dúvida da amiga é reflexo da pressão que é feita em cima da sociedade, leia-se cidadãos, para evitar o desperdício e o consumo abusivo deste precioso bem. E será que essa pressão é justa?

Não quero fazer o papel de Advogado do Diabo - até porque, entre um e outro, eu prefiro o Diabo, acho ele mais ético - mas o percentual de água destinado para o uso doméstico é praticamente insignificante, se comparado aos demais, o que não justifica o desperdício, a má distribuição e a superexploração. De toda a água potável disponível no planeta, apenas 8% são destinados para o uso doméstico. A indústria fica com 12% e a agricultura e a pecuária consomem 80% de toda a água utilizada no mundo (principalmente na irrigação). Nada melhor do que alguns exemplos para deixar o cenário ainda mais claro: são necessários 20 litros de água para a produção de 1 litro de cerveja, 1.500 litros de água para se produzir 1kg de trigo e, para 1kg de carne industrializada, são gastos cerca de 10 mil litros (da criação do gado até a chegada do bife na mesa do consumidor).

Eis a minha indignação: não concordo com a forma de abordagem e o tratamento dados à questão da água, com o peso sendo colocado nas costas da população, como se nós fóssemos os únicos, os grandes culpados pelo propagado colapso mundial no fornecimento de água. Claro, todos nós temos a nossa parcela de responsabilidade e, principalmente, o dever de utilizar esse recurso natural com consciência. Mas essa pressão deve ser feita, de maneira ainda mais forte, junto à indústria e ao agronegócio, pois são os grandes responsáveis pelo desperdício de água, poluição, aquecimento global e todas as suas conseqüências.

Continuem utilizado a água com responsabilidade, economizem, reaproveitem, reutilizem e façam seu xixizinho no banho sem peso na consciência. Só não se permitam sofrer pressão sem fundamento. Vamos pressionar e cobrar uma mudança de postura das indústrias e dos latifundiários do agronegócio. Eles sim, podem, diretamente, evitar o caos. O lobby deles é muito forte junto aos governos, mas nós temos as nossas armas: voto e, principalmente, poder de escolha na hora da compra, boicote a produtos de empresas não-responsáveis. Já tá mais do que na hora de começarmos a usá-las de verdade e com inteligência, não acham?

sexta-feira, 30 de abril de 2010